APRESENTAÇÃO DO LIVRO

Trabalho em andamento, em breve nas livrarias

Psicanálise e gestão: um encontro inesperado.

Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, afirma: “se dá para medir, dá para gerir”. Já Freud, o pai da psicanálise, postula que pensamentos e memórias que determinam grande parte das nossas escolhas e comportamentos são inconscientes e só com muito trabalho —de psicoterapia psicanalítica por exem­plo— os acessamos para conseguir transformar aquilo que nos incomoda. Drucker fala sobre o “valor” sob a ótica presumível do mensurável, enquanto Freud se refere ao “invisível”, da ordem do incontável.

Freud argumenta que, apesar do seu acesso restrito, o inconsciente está lá, produzindo seus efeitos na vida real, fruto e consequência das marcas deixadas por todas as nossas interações pessoais e grupais, desde a infância “imemorável” e por toda a vida. Ou seja, “sabemos” muito sobre esse conteúdo inconsciente, só “não sabemos que sabemos”. E entre as diversas formas de ter acesso a esse material é por meio da fala.

Mas não basta a fala, é preciso haver um outro com capacidade de escutar o “não dito” que ali se esconde atrás de censuras e defesas mediadas pelo medo, raiva, vergonha, culpa, tristeza, alegria entre outras tantas emoções.

Então, apresento “o valor do invisível” a partir desse encontro inesperado entre Freud e Drucker e nos seguintes termos: “se dá pra falar, dá pra gerenciar”. Essa construção está apoiada em um substrato teórico-clínico com mais de 120 anos de história que é a psicanálise. Percebi o valor dessa aplicação ao longo de anos de prática de um processo que nomeei de “clínica corporativa”, atuando junto a:

Toda empresa reconhece ser altamente dependente de comportamentos e desempenhos de pessoas e grupos, embora não conte com meios de escutar e dar encaminhamento aos processos inconscientes que regem esses comportamentos e desempenhos.

Minha proposta de valor será, portanto, desenvolver com lideranças empresarias e executivas uma capacidade de escuta para os seus próprios processos inconscientes, extraídos das dinâmicas relacionais bem contextualizadas em suas vidas corporativas. Processos inconscientes que, na relação com pares, equipes, sócios e chefes podem revelar formas inquietantes de enfrentar conversas difíceis, de esquecer, de estranhar os próprios pensamentos e sentimentos, de dar ou não sentido a seus atos. Coisas que uma vez “não ditas” podem se tornar “não feitas” em uma ampla cadeia de “não realizações”, dado a alta interligação de metas, projetos e decisões que caracteriza a complexa gestão contemporânea.